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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Meu mulato inzoneiro...

Aos entusiasmadinhos com a situação lampedusiana que atravessamos, lembro o poeta Leminski:

"o novo
não me choca mais
nada de novo
sob o sol

apenas o mesmo
ovo de sempre
choca o mesmo novo "

E eu acrescentaria que deste ovo nada de bom pode vir, enquanto perdurar esta cortina de "benfeitorias" que nubla a visão até dos mais capazes...

Paulo Leminski

podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano

eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano

2.Amor, então,
também acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Paulo Leminski

Dois poemas:
1.

lembrem de mim
como de um
que ouvia a chuva
como quem assiste missa
como quem hesita, mestiça,
entre a pressa e a preguiça

2.

já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo

morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma

morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma