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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Poesia Russa

Ah! Os irmãos Campos!!Quando mudei para São Paulo, frequentava uma casa ao lado da deles e era um entra e sai de gente que eu admirava, eu ficava na janela esperando chegar alguém que eu não conhecesse e imaginava as razões da criatura estar lá!
O ser humano se impõe sofrimentos que não têm explicação...a imposição do sofrimento, esta tem, é claro! Freud mostrou o caminho, quem quiser que o trilhe...
E os poetas russos, então? Todos, todos de que ouvi falar foram através dos irmãos Campos, que o Telmo Martino, maldosamente, chamava de Campos Brothers. Como eu admirava o Telmo Martino, pela maldade e concisão dos golpes (verbais) que desferia com inacreditável acerto (chamar a Maureen Bisilliat de a "Rondon do diafragma" nem chega perto do apodo colocado em Elba Ramalho, que eu me recuso a reproduzir aqui, imaginando que ela ainda não está curada de tanta maldade...), eu sempre achei que a referência era elogiosa. Santa ingenuidade dos vinte anos!!!
Ainda aguardo, inconsolável e insaciado, a biografia de Ossip Mandelstam e de Nadine. Posso adiantar que o filme Farenheit 451, de Truffaut, baseado em livro irretocável de Bradbury, é uma sombra do que os dois passaram.
E são tantos suicídios, mortes trágicas, que um desavisado pode pensar estar diante das consequências que uma CPI japonesa provocaria nos quadros políticos daquele país. Neste, onde habitamos, provocaria apenas um pronunciamento indignado com aquele sotaque tão característico, dizendo das perseguições que sofrem...Domage!!!

Vamos ao que interessa:


Até  logo, até logo, companheiro,
Guardo-te no meu peito e te asseguro:
O nosso afastamento passageiro
é sinal de um encontro no futuro.


Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.



Tradução de Haroldo de Campos...noblesse oblige!

(1925)



Iessienin, o autor, escreveu o poema acima com o próprio sangue ao se suicidar, cortando os pulsos. Inseguro, incerto do resultado de sua ação, ainda resolveu enforcar-se...teve sucesso!! Alguém consegue imaginar as consequências de um resultado nem tão positivo assim??? Ninguém é um poeta russo sem sofrer as consequências!!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Carmen McRae



Take Five é um ícone jazzístico, Carmen McRae, nem tanto, infelizmente. Eu a conheci graças ao Telmo Martino, que se foi antes de presenciar em que estamos nos tornando...Se alguém sabia das coisas, era ele!Quem mais chamaria a Elba de "Sirene do Agreste"????Pois a Carmen McRae veio ao Brasil quando o Maksoud de São Paulo trazia os maiores cantores e instrumentistas do jazz...vi shows inesquecíveis, mas à época, eu podia desfrutar de certos prazeres que hoje...bem, isto é outra história.
Carmen gravou um disco que eu acho nunca mereceu o olhar mais atento da crítica, no qual ela canta Thelonius Monk. Dá pra imaginar? Pois é....inclusive é um CD relativamente difícil de se encontrar, mas merece todo o trabalho que der. A recompensa é mais de uma hora de puro prazer!Outro disco dela que eu acho que merecia um outro olhar, mais atento, é o Ms. Magic, em que ela canta Billy Joel e a música que eu gostaria de ver a Andrea Dutra cantando, "I'd rather leave while I'm in love", viu Andréa? Eu sou pidão mesmo,sigo pedindo....

Para quem não sabe, Take Five é do Dave Brubeck e, quando foi lançada, atingiu o primeiro lugar das paradas de sucesso, a primeira vez de uma música de jazz em toda a história!!!A gravação de Take Five ao vivo em Tóquio, com Dave Brubeck, Gerry Mulligan, Paul Desmond, Alan Dawson e Jack Six é de fazer qualquer um levitar...ainda bem que logo após vem Kyoto Song, que consegue dar uma acalmada...O disco foi um dos vinte editados em ouro 24K...dá para sentir? Então.