quinta-feira, 11 de abril de 2013

O futuro, lá no passado...


Um artigo já há algum tempo na praça, mas não deixa de ser atual, nos tempos que correm. 
Estamos ficando na rabeira na América do Sul também, o índice de "hate crimes", crimes cometidos em função do que as pessoas são ou deixam de ser,  só faz crescer e caminhamos para o fundo do poço da tolerância, achando tudo colorido e lindo. 
Se não prepararmos o futuro, sofreremos no presente tudo que deixamos inconcluso no passado. Simples, mas muito dolorido...


A voz do silêncio
(artigo) 18/08/2005 12:10

A família é a mola propulsora do preconceito. É com este desafio que temos que aprender a lidar:Pssss... Por favor, não fale, cale. Não enfrente. Deixe o silêncio encobrir tudo, penetrar até a alma. Afinal, é mais fácil acreditar que aquilo que não se ouve, que não se vê, não existe. Para a manutenção do que é aceito como certo - pelo simples fato de ser igual -, o jeito é não ver nem ouvir qualquer coisa que se afaste do comportamento majoritário. O importante é respeitar os costumes, que nada mais são do que repetições do que é considerado bom e correto pelas gerações anteriores e arcaicas. É reconhecido como verdadeiro o que a maioria diz e todos repetem como eco. Com desenvoltura, a sociedade faz surgir mecanismos de exclusão. Engessa as pessoas com rigidez dentro de estruturas cristalizadas, criando sistemas de alijamento do que refoge do padrão convencional. Toda e qualquer tentativa de fugir dos estereótipos estratificados é identificada como vício, pecado ou crime e rotulada de imoral, um atentado à ética e aos bons costumes. Quem se afasta do modelo necessita se refugiar em guetos. A união de esforços, a formação de instituições e entidades é a forma encontrada pelos marginalizados para emergir e obter a respeitabilidade social. Dolorosa a inserção desses segmentos. Nem sempre a conjunção de forças, a organização de movimentos ou a constituição de agremiações logram êxito. É a família que serve de mola propulsora para arrostar o preconceito. Porém, alguns segmentos, por serem estigmatizados também no âmbito familiar, têm mais dificuldade de romper a barreira da invisibilidade. Dentre os excluídos, os mais discriminados são certamente os homossexuais, que enfrentam maior dificuldade de obter aceitação. Sequer do respaldo familiar desfrutam, o que compromete a imagem pessoal, limita a auto-estima e dificulta a busca de integração. Praticamente são submetidos a um processo de auto-exclusão.

A falta de respeito em praticamente todos os núcleos vivenciais os sujeitam ao escárnio público e os tornam o alvo preferido do anedotário de uma forma degradante. Essa é a face mais perversa do preconceito. Essa cruel realidade está começando a ceder. A laicização da sociedade e a universalização dos direitos humanos estão rompendo a barreira do silêncio. A partir da consagração constitucional dos princípios da igualdade e da liberdade, bem como da eleição da dignidade da pessoa humana como finalidade maior do Estado, o Direito passou a ser a grande esperança. Somente a conscientização da sociedade poderá reverter posturas discriminatórias que levam a duvidar de se estar vivendo em um estado democrático de direito. O preconceito e a discriminação dificultam o processo integratório pela via legislativa. É difícil a aprovação de leis destinadas a segmentos com pouca expressão numérica e alvo de uma forte rejeição da maioria do eleitorado. A possibilidade de comprometer a mantença no poder intimida o legislador. A Justiça é lenta, morosa e conservadora. É difícil ao magistrado romper barreiras sem temer estigmas ao enfrentar assunto permeado de tamanha rejeição. No entanto, é preciso que os juízes tenham sensibilidade para enlaçar no âmbito da juridicidade situações que não dispõem do respaldo legal. Mas para isso é preciso coragem para empunhar a bandeira da igualdade e da liberdade na busca do respeito à dignidade da pessoa humana e da cidadania. Poucos são os que têm a coragem de cumprir este dever. Poucos e bravos.

Por Maria Berenice Dias, Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e Vice-Presidente Nacional do IBDFAM - Instituto Brasileiro de Direito de Família.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Perfeição à vista


A grande tragédia do ser humano é conseguir um vislumbre da perfeição e ter de se contentar com o possível. Que conversa estranha, você pode pensar...mas não.Vejam o exemplo do Rio de Janeiro, a cidade que escolhi para morar, já se vão vinte e alguns anos, e que hoje exige um tremendo esforço para que eu não mude amanhã mesmo...O mundo gira, a Lusitana roda...

Figura 1: mostra a dinheirama MENSAL que segue para os municípios do norte fluminense

Figura 2: mostra a posição dos municípios do norte fluminense no IDEP. 

Figura 3: a média do IDEP para o ensino médio no Brasil. Procure o Rio....não levante os olhos...

A questão dos royalties já passou dos limites do razoável, sem que se perceba uma argumentação mais séria de qualquer das partes. E nós, governados, também vamos embarcando nesta nau insensata da estupidez humana e corroboramos os argumentos feitos sem nenhum embasamento econômico, financeiro e decente. Decente??? É, os argumentos usados não são decentes porque não são verdadeiros, são distorções de uma realidade que, a todo instante, se prova diversa daquela alegada pelos principais atores deste espetáculo pobre de vaudeville...



Quem mora no Rio de Janeiro sabe muito bem que os royalties não têm servido aos cidadãos e que a perspectiva é a de que continuem não servindo. O atual Governador, muito espertamente, já comprometeu as receitas advindas do pré-sal durante anos, tudo em nome de melhorias no Estado que os cidadãos não conseguem perceber. Não me falem de UPAs, UPPs, segurança pública, etc....esta conversa vale para quem mora na Zona Sul à beira-mar ou então nas proximidades  de uma favela que tem seus contornos tangenciando os apartamentos fincados nas cidadelas da Zona Sul. Fora daí, o ambiente permanece o mesmo, não se sai de casa depois das dez da noite, não se vai a lugar algum que não preveja uma multidão que atenuará a sensação de insegurança total.


Metrô no Rio

Barcas no Rio


Ônibus no Rio

O metrô e os ônibus, bem como as barcas, bem, esta conversa é altamente ofensiva e irritante, já que o tempo para que melhorassem já se esgotou. Onde está a adaptação dos veículos para as pessoas com deficiência? Após dez anos, foi solicitada uma prorrogação para a implantação dos equipamentos e nada foi feito até agora...O  Metrô não tem o menor respeito pelo seu usuário e a última ofensa ao consumidor deste serviço foi a retirada dos bancos que permitiam que a espera pelos lerdos trens fosse amenizada. As filas das barcas descem pela Praça XV e sobem até a Rua da Assembleia, e não, ninguém me contou, trabalho ali e vejo quase todo dia o sofrimento de quem tem de ir para Niterói... Onde está o ar condicionado dos ônibus?Os poucos que tinham implantado este milagre do mundo moderno sumiram da praça...Alguém tem a explicação?


E se formos enumerar todos os aspectos da vida diária, eu não conseguiria enumerar um sequer em que o lado positivo tenha sido incrementado desde que o estado começou a receber os royalties...
Então, ficamos assim: parem de tentar me convencer através de reportagens, matérias, cadernos especiais, de que o Rio está melhor. Quero que me mostrem e que me permitam viver essas melhorias...Desde já, agradeço.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Atenção e cuidado




É a primeira vez que uso o recurso de transferir vídeo, será que vai dar certo?
O recurso das legendas é uma porcaria, talvez seja melhor ouvir mais de uma vez, caso tenha-se perdido alguma palavra e, no caso, perder alguma palavra aqui é o problema...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Roberto Piva





Atentado Profundamente o Emocional
(Antinoo, ragazzo di marbro)

garoto pornógrafo
antes que a lua chegue
esta feijoada será uma batalha

Átila vence a grama do mundo
ADRIANUS CESAR Imperator
caminhando na manhã romana com seus doze amantes
eu gostaria que você lesse Jacob Boehme
suas coxas se retesam
& você chora um pouco
venha, lamba minha mão &;
se prepare para um milhão
de comas loucas loucas
antes que a lua chegue
morda meu coração na esquina
& não me esqueça

Roberto Piva

Do livro: "Abra os olhos & diga ah", Massao Ohno Editor, 1976, SP
Estátua: Antinoo, de Farnese

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Time Out


Não, não é aquela revista que traz a programação do que se fazer, em várias cidades do mundo. Gosto muito e aproveito o TONY (Time Out New York) e o London também. Em Paris, o Pariscope é melhor...Não, estou falando do livro Night Out, uma coletânea de poemas inspiradas pela noite, no sentido de boêmia, outcasts, bas fond....muito interessante e com muitos poemas legais.


Obviamente, lendo o livro sempre vem à cabeça o nome de Edward Hopper, cujo quadro, Nighthaws, eu e Alberto ficamos olhando durante horas, isto mesmo, horas, no museu de arte de Chicago (Art Institute of Chicago), que, por sinal, tem mais dois dos quadros que marcarão minha visão da vida para sempre: o Tarde de Domingo na ilha de Grand Jatte, do Seurat e e o Art Transfixed, do Magritte.

Art Transfixed - Magritte








Tarde De Domingo..... - Seurat

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Notícias


O ano começa como todos os outros, mas com muito mais calor. Há quanto tempo eu não sentia tanto incômodo com o calor como agora. Não chego a ser uma Carolina, minha irmã, que não consegue abstrair o desconforto provocado pelo calor e se transforma em um pinguim perdido no Saara. Se bem que do Saara do centro do Rio ela gostou muito, se divertiu a valer, apesar da temperatura carioca. Senegalesa, aparentemente, perdeu o sentido nestes tempos de sustentabilidade errática....



As notícias não são boas, no geral: nosso Congresso, em um retrocesso impensado, colocou o pensamento dos rincões nas cadeiras que importam.Não custa nada lembrar que é exatamente essa mentalidade reinante nas periferias pensantes de um país que podem conduzir a um domínio das massas obedientes por uma elite despreparada e  ressentida. Na sua obra seminal, "Origens do Totalitarismo" (há uma edição de bolso, muito acessível, acho que a R$ 39,00), Hannah Arendt nos mostra o que evitar e como perceber os sintomas de um caminha perigoso à nossa frente: "Há, portanto, uma tentação de voltar à explicação que automaticamente tira toda a responsabilidade da vítima: ela parece corresponder à realidade em que nada nos impressiona mais do que a completa inocência do indivíduo tragado pela máquina do terror, e a sua completa incapacidade de mudar o destino pessoal. O terror, contudo, assume a simples forma do governo só no último estágio do seu desenvolvimento. O estabelecimento de um regime totalitário requer a apresentação do terror como instrumento necessário para a realização de uma ideologia específica, e essa ideologia deve obter a adesão de muitos, até mesmo da maioria, antes que o terror possa ser estabelecido". Claro e sereno... A demonização do sucesso pessoal, da progressão empresarial,  esse sentimento reinante de que há uma injustiça social que deve ser reparada a qualquer custo é exatamente a situação que permite a instauração de um ambiente de terror, já que as medidas extremas seriam, a priori, justificadas...A progressão do pensamento dos assim chamados "evangélicos" é outro fator que provoca um pouco de medo e muito de desespero. Não dá para esperar para ver como fica...



O Mensalão, tão querido, está como sempre esteve: seus protagonistas aplaudidos por um a patuléia   ignorante e sustentada a sinecuras,  protagonistas que se refastelam nos aplausos dos abnegados e correligionários, mas as punições ainda aguardam....não sei o que elas aguardam, mas aguardam...Gastão, o vomitador, ficaria muito contente, já que seu estômago ficaria feliz com o alívio proporcionado por tal vomitório. A melhor justificativa apresentada até o momento foi a de que "roubaram antes"...é preciso dizer uma palavra sequer?



Mas o que merece mesmo a vomitada do mês são as justificativas do advogado encarregado de defender o Corinthians Paulista pelas acusações de responsabilidade pela morte de um torcedor boliviano causada por um sinalizador atirado pelos torcedores corintianos. A apresentação de um menor de idade como culpado nos diz muito da situação atual deste país: ishpertezas são ótimas quando nos trazem benefícios e não importa quão destrambelhadas elas pareçam a quem quer que se dê aio trabalho de somar dois mais dois. Nestas horas é que a OAB deveria vir a público defender a instituição da advocacia. Uma vergonha para a profissão.

E vamos sobrevivendo, não "sem um arranhão", ao contrário, totalmente arranhados por uma realidade que insiste em se distanciar de si própria, que insiste em negar os mais comezinhos princípios de urbanidade e civilidade. 

AH! Mas aconteceu o Carnaval, teremos Copa e Olimpíadas (me recuso a tocar neste assunto!!), tudo corre bem para quem as coisas sempre correram bem...e isto não muda.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Notícias


Semanais, é a pretensão...Ou quando achar que devo, é a ideia, mas a preguiça e as distrações andam maiores que o desejo de escrever.
O Macaquices, da querida Val Galvão, anda mais produtivo que o Acendedor, mas isto somente me alegra...inveja zero, satisfação dez, ainda mais que a Valéria escreve muito bem.


Coisas do Rio de Janeiro...andando pelo Saara, para quem não conhece, o centro de compras popular no Centro do Rio, sexta-feira pela manhã, passando pela calçada, ouço:
-"Este, de chapéu(era eu), é o presente que eu tô quereno hoje...Aniversário devia podê escolhê presente. (sic)...
a resposta revela o verdadeiro espírito carioca:
-"Tem pinta de genérico...o que vc precisa é um laboratório estrangeiro!!".
Juro que me senti um óleo Nujol, que ninguém mais sabe do que se trata...rs...

Sabedor do caráter altamente inquieto dos pesquisadores de nossas universidades, aguardo, com certa ansiedade, o estudo sobre a motivação dos atendentes das lojas populares para serem tão ausentes quando surge um cliente no balcão. De alguma forma, tornam-se refratários a qualquer forma de ter a atenção desviada de um plano tão transcendental  de meditação que um novo 11 de Setembro no prédio do IBGE (um horror) não passaria de um foguetório de entrada de escola de samba na Marquês...Mas o melhor mesmo são as respostas às perguntas mais simples: monossílabicas, diretas, um poder de concisão que somente a preguiça mais estabelecida pode permitir e aprimorar...

A semana seria cheia para Maneco, meu avatar momô; Gastão, o vomitador, teria de ser internado mais vezes que o Jaguar, seu criador e Mona Mur (leia em voz alta!!), o alter ego sarcástico, mas um tantinho esclerosado, teria peripaques coloridos, senão: o incêndio e a cobertura das TVs (o que a senhora está sentindo? para uma mãe que acabou de enterrar o filho!!!), as eleições do congresso nacional, o aumento/decréscimo da conta de luz, as entrevistas dos futuros faróis da Sapucaí, que nos guiarão através do Carnaval; os blocos e sua sujeira; os comentários ufanistas e, sendo bastante gentil, idiotas sobre o apagão no Superbowl (e se fosse na Copa???)..francamente, vieram de onde menos se esperava...Mas é Rio e a vida, delícias doloridas e divertidas...viva quem puder!!