quarta-feira, 31 de outubro de 2012

José Gomes Ferreira



Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Portugal, meu avo(s)zinho!!!

Avos de parte, fração, algo que faz parte do todo. Uma pena nossos laços serem fortes mas frouxos. Sabemos tão pouco, nos beijamos pouco, nos esfregamos menos ainda...Estou sempre descobrindoalgo novo em Portugal, navegando nesses mares modernos das redes, nessas caravelas loucas dos aplicativos...
.
Aqui, JP Simões e Norberto Lobo, em Canção da Paciência.
Mais, mais, mais, mais...

Originalmente, este post foi publicado em 2008 e achei que deveria colocá-lo de novo em contato com as pessoas que, espero e acredito, tenham mudado....Não é preguição, Valéria. É que eu achei que devia...

Elevadores e outros teletransportes


Na minha infância, durante um certo tempo, me fazer entrar no elevador era uma tarefa masculina: um tio, pai, adulto muito maior. O motivo: os incas venusianos, prontos para me abduzir assim que as portas se fechassem. Tive de vir ao Rio fazer um tratamento de saúde e era um trabalhão para minha tia Dadá, a favorita de todos, conseguir chegar ao consultório em minha companhia... tudo passa. Menos o amor pela Dadá, alguém tão doce e gentil que nunca foi chamada de forma diferente em toda a sua, infelizmente curta, vida, por todos e eu quero dizer isto mesmo, absolutamente todos que a conheceram a chamam e conhecem, por um  único nome: Tia Dadá.


Já adulto, ainda penso,à semelhança do detetive Hole, que ao sair de um elevador encontrarei um mundo melhor, mais de acordo com os meus pensamentos de convivência e adequação humanos...domage!! Nunca aconteceu, por mais longa que tenha sido a viagem entre os andares. Minha aflição ao subir no elevador do edifício mais alto do mundo era não reconhecer o mundo externo, me sentir mais deslocado do que já me sinto nos dias de hoje. Puro desencanto!

Manoelito endoidou??? Não, essas elocubrações se desenvolveram devido aos acontecimentos do dia, que me fizeram pensar na obra de Richard Sennet, O Declínio do Homem Público, em que ele, de certa forma, trata da personalização das relações sociais, onde as pessoas se vêem obrigadas a ficar demonstrando, afirmando, exibindo, o que eles "realmente" são. Ou o que eu realmente sou. Mas quem está disposto a ouvir?

Na definição iluminada de Emannuel de Souza, estamos nos transformando no avatar deste ser transformado, o tal cidadão narciso, o lindo..Mas o outro só é realmente importante na medida em que reflete a personalidade do outro. .Fôssemos metade do que proclamamos em redes sociais ou na rede, o mundo seria um lugar muito melhor.

Não é e nem somos. A luta diária é contra os cães e dela não brota flor alguma.

Em tempo: o nome da tia Dadá era Maria Magda Ribeiro da Silva e ela faz muita falta.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O PT é uma quadrilha


O artigo de Demétrio Magnoli (http://oglobo.globo.com/opiniao/o-pt-nao-quadrilha-6512438) enseja muuuuitos comentários, não sei se as pessoas ainda têm paciência para ouvir mais a respeito, mas vamos lá

Desqualifica as críticas, o contexto, a profissão de especialista em marketing (..vendedores de sabonete), o autor é um resumo do comportamento do partido durante os anos em que, felizmente, não frequentava os corredores do poder. Aparentemente, pelos seus artigos, sempre imaginei que o autor mantivesse uma posição mais neutra a respeito do que acontece no "maior partido do Ocidente!")

Pretendendo livrar a cara do partido ("O PT não se confunde com o que dizem seus líderes ou parlamentares em determinada conjuntura, nem mesmo com as resoluções aprovadas nesse ou naquele encontro partidário. Embora tudo isso tenha relevância, o PT é algo maior: uma história e uma representação..."), ele tenta desqualificar o julgamento do STF que decidiu, claramente, que O PT É UMA QUADRILHA...ou foi, em determinado momento de sua história. Até onde eu entendo, a direção de um partido é a mais legítima representação de seu ideário e de suas diretrizes, ou há aí um engano meu a respeito do papel dos partidos políticos na história!

Usar o mesmo argumento que o José Genoíno ficou até engraçado...evocar a história pessoal para justificar desvios de conduta é, no mínimo, coisa de bandido e mau caráter (e não estou me referindo ao Magnoli).

Embora o foco da crítica seja em José Serra e seus tradicionais equívocos de campanha, que são tantos que ele deveria chamar-se Zé Tiro-no-Pé, ficou uma impressão ruim, de que o comportamento partidário pode ser estanque, que a direção de um partido se desmembra do corpo partidário quando se comporta mal. Muito estranho...

"Na democracia, não se acusa um dos principais partidos políticos do país de ser uma quadrilha." O processo já passou de acusação, como todos podemos acompanhar, estamos na fase da tão falada densimetria. Que foram uma quadrilha que tinha um plano de se perpetuar no poder, não importando os meios, o STF já decidiu. E que representavam o partido nacional e internacionalmente, também não restam dúvidas.

E o silêncio obsequioso (no mau sentido, por favor) com que a imprensa nacional trata o Grande Timoneiro -Lula, para quem não entendeu- deve levantar a suspeita do leitor menos catequisado pelos discursos fáceis, pretensamente democráticos, que circulam pela imprensa. Poderiam ter a gentileza de, pelo menos, colocar aquela famosa notinha: "Procurado, o Sr. Ex-Presidente não se pronunciou.". Qual a razão para que ninguém procure o Lula? Qual a razão para tanto silêncio de quem sempre foi tronitruante ao apontar o erro alheio?

Ponto para Magnoli, que sempre cobrou do ex-presidente uma posição e um pronunciamento a respeito do que está acontecendo.

Manoel Artur da Silva é ele mesmo.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Gastão, o pesador...


Não, não errei, é pesador mesmo....porque Gastão pensa muito, mas pesa as palavras antes de soltá-las no éter...

Maneco, meu avatar momô, andou preocupado com as declarações dos principais atores do julgamento do Mensalão. Você pensou "os juízes"?? Errou, estava me referindo aos réus, aqueles a quem se deve o surgimento desta nova imprensa maravilhosa, a imprensa  que se congratula com a luta de poucos contra tudo e todos a quem esta mesma imprensa passa a vida a bajular e  a escamotear a informação verdadeira.

Genoíno e Zé Dirceu terem sido aplaudidos em São Paulo, mesmo que tenha sido na convenção do partido que lhes deu suporte e motivação para praticar o que praticaram, este, para mim, foi o momento que marcou o julgamento do mensalão. A mensagem é clara: não adiantou nada, não vai mudar nada, teremos mais uma vez uma lista de culpados que não pagarão pelos seus crimes e que rirão de todos nós no aconchego das salas obscuras de Brasília, aquelas salas onde, de fato, se decidem os destinos do país.

O desenvolvimento do julgamento está desembocando onde se esperava: na impunidade, na não-condenação (não podem ser absolvidos, acho, mas podem não ser condenados, eu não entendo os meandros da justiça brasileira) dos principais envolvidos e sem que alguém tenha resolvido a abrir a boca, de verdade.

A atuação dos ministros é a que se esperava, ou alguém conseguia crer que poderia ser algo diferente? E os ministros, repito, são o retrato do país, sem tirar nem por. Mesmo que os principais envolvidos sejam condenados, as penas serão brandas e não obrigarão à devolução do que foi furtado. Como exemplo de informação sonegada, vejam a entrevista do Bicudo ao Programa Sábado Especial. Está tudo lá, como também esteve nos depoimentos do Propinoduto do Estado do Rio de Janeiro e ninguém se deu ao trabalho de ler com atenção ou pesquisar, ou então comparar os dados....era só ler...

O país está indo para a frente? Está, para trás não dá, todos sabem disso!!E a conjuntura mundial foi muito positiva para nós durante anos, vamos ver como ficará à frente. E Gastão segue pensando, remoendo os dados que lhe são atirados pelas telas de seus computadores, tablets e demais acessórios. E pesa com muito cuidado as conclusões e as palavras, mas não consegue deixar de exercer seu superpoder em direção à imprensa nacional, pela enésima vez, esta mesma imprensa que insiste em nos dizer que estamos a caminho de um paraíso, mas esquece-se de dizer que neste mesmo paraíso escondem-se legiões demoníacas com as quais nem Santo Antão sonhou. E Simeão, há muito, abandonou o seu pilar, já que o horizonte que se descortina não faz brotar nenhuma esperança no coração de quem olha esse mundo com olhos menos dóceis do que uma criança.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Poesia Húngara



Lendo o sítio www.dicta.com.br, encontrei um artigo do Nelson Archer sobre a poesia húngara. O idioma é quase impenetrável, como vocês podem ver. A palavra polícia, no Ocidente, é parecida em quase todas as línguas. Em húngaro: Rendőrsége!! Com todos os acentos!!! E até em euskera é polizia....cqd!!!No sítio acima podem ser encontrados diversos poetas húngaros, dos quais selecionei dois:




Lörinc Szabó (1900-1957)



Válasz
Láttam a komédiát,
hajam beleőszült.
Minden férfi bandita,
minden asszony őrült.
Gyomrom, agyam tele van,
öreg undor éget.
Választ akarsz? Kezdelek
kiokádni, élet!
Resposta
Vi a comédia: ela deixou-me
grisalho de repente.
Os homens, todos gangsters; cada
mulher, uma demente.
Do estômago à cabeça, é um nojo
antigo que em mim arde.
Queres uma resposta? Vida,
começo a vomitar-te.


e

György Somlyó (1920-2006)

Seb és kés
A kés és a seb viszonya változó. A seb vérzik. A kés bevéreződik. A seb sajog. A kés kicsorbul. A seb fájva emlékezik a késre. A kés nem emlékezik a sebre. A seb beheged. A kés sebe tartós. Egyszer a seb is elfeledi a kést. A késnek nincs mit felednie. A kés gyönyört lel a sebben, mint a kinyíló testben. A seb is gyönyörét lelheti a késben, mint a beléhatoló testben. A seb irtózik a késtől. A kés is irtózhat a sebtől. Vannak, akik a sebtől irtóznak. Vannak, akik a késtől. Van, aki mindakettőtől. A seb szeretheti is a kést. A kés is szeretheti a sebet. Megeshet, hogy a kés úgy sajog, mint a seb. Megeshet, hogy a seb oly érzéketlen, mint a kés. A seb előbb-utóbb begyógyul. A kés beletörhet a sebbe. A kés sokszor mondja azt: Én vagyok a Seb. Egyszer a seb is azt mondhatja: Én vagyok a Kés. A seb és a kés viszonya változó. Csak egy változatlan. Hogy van seb és van kés. A kés a seb kése. A seb a kés sebe. Nem lehetnek meg egymás nélkül.
Ferida e faca
A relação entre faca e ferida é variável. A ferida sangra. A faca se ensangüenta. A ferida dói. A faca se embota. A ferida se lembra dolorosamente da faca. A faca não se lembra da ferida. A ferida cicatriza. A ferida da faca é duradoura. Algum dia até mesmo a ferida há de esquecer a faca. A faca não tem o que esquecer. A faca se deleita com a ferida como com um corpo que se abra. A ferida também pode se deleitar com a faca assim como com um corpo que a penetre. A ferida tem horror à faca. A faca também pode ter horror à ferida. Há quem tenha horror à ferida. Há quem o tenha à faca. Há quem tenha horror a ambas. A ferida pode também amar a faca. A faca também pode amar a ferida. Pode ser que a faca sinta dor como a ferida. Pode ser que a ferida seja insensível como a faca. A ferida há de sarar um dia. A faca pode se quebrar na ferida. A faca diz freqüentemente: Eu sou a Ferida. A ferida pode vir a dizer um dia: Eu sou a Faca. A relação entre ferida e faca é variável. Só uma coisa não varia. Que há ferida e há faca. A faca é a faca da ferida. A ferida é a ferida da faca. Uma não existe sem a outra.
O crédito é do sítio www.dicta.com.br. Dos autores, não tenho a menor ideia, só lhes dou o crédito de acreditar que escrevem lindamente. Problemas com direitos? Post um coment, que eu retiro , sem problemas. Mantive o original, por uma questão de coerência...

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Cena de Metrô


Cena de Metrô

Minha amiga Claudia De Oliveira Cunha lê muito. Eu também leio, já li mais, mas estou retomando o ritmo. Mas nunca fui daqueles que leem (ainda tem acento?não tem mais?) "até o sono chegar"!! Estou lendo um livro bastante bom que a Claudinha me emprestou, e com ele na mochila, fui para o Metrô, preciso trabalhar até ter idade para me aposentar e não me preocupar mais com o futuro, já que ele não existirá mais. 
Com a atenção presa no livro, lembrem-se de que ele é bom, dois jovens, eu ia escrever garotos, mas isto poderia dar a ideia errada, dois jovens, um deles meio gordinho, vestido de vermelho, a camiseta meio bufante....conversavam, em voz mais alta do que recomenda a boa educação.
-"Mas tudo é meio estranho", disse o magro.
-"Eu não tenho este problema, acho tudo normal!", disse o gordinho
-"Mas você pode, é inteligente para c....", elogiou o magro.
- "Eu sou um gênio!!", disse o gordinho, jogando os cachinhos a la Chico Alencar para os lados.

Não sei se foi o livro que me distraiu, não sei se é minha atual posição em frente às coisas do mundo, só sei que a frase saiu, assim, parecendo um voto do Lewandowski:

-"Ah! Então eu quero três desejos!!!"

Ser chamado de careca escroto não me perturbou nem um pouco. Acho que o que incomodou o gordinho foi a risada alta do amigo, que corroborou o que escreveu Nelson Rodrigues sobre o tapa: o problema é o barulho!!

As pessoas riram, o gordinho ficou vermelho, disse mais uns três palavrões, sendo que um deles foi novidade para mim, mas tenho certeza de que não era boa coisa.

Então, ficamos assim: ler no metrô, só livros ruins....