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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Antonio Cícero



Um ídolo, quando crescer quero entender como ele escreve tão bem....

ECO

A pele salgada daquele surfista
parece doce de leite condensado.
Como seu olhar, o mar é narcisista
e, na vista de um, o outro é espelhado;
e embora, quando ele dança sobre as cristas,
goste de atrair olhares extraviados
de banhistas distraídos ou artistas,
é claro que o mar é seu único amado.
Ei-lo molhado em pé na areia: folgado,
ao pôr-do-sol tem de um lado a prancha em riste
e usa do outro uma gata e um brinco e assiste
serenamente ao horizonte inflamado
e a brisa o alisa e enfim ele não resiste
à beleza e diz “sinistro!” e ouve eco ao lado.


Antonio Cícero

[Do livro Guardar]
A foto é do Alair Gomes

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Antonio Cícero




L'avenir

Soulevons la paille
regardons la neige
écrivons des lettres
attendons des ordres

Fumons la pipe
en songeant à l'amour
les gabions sont là
regardons la rose

La fontaine n'a pas tari
pas plus que l'or de la paille ne s'est terni
regardons l'abeille
et ne songeons pas à l'avenir

Regardons nos mains
qui sont la neige
la rose et l'abeille
ainsi que l'avenir

O futuro

Levantar a palha
contemplar a neve
escrever as cartas
aguardar as ordens

Fumar o cachimbo
sonhar com o amor
eis aí os cestões
contemplar a rosa

A fonte não secou
e o ouro da palha não desbotou
olhar a abelha
e nem pensar no futuro

Olhar nossas mãos
que são a neve
a rosa e a abelha
além do futuro

Retirado do blog do Antonio Cícero, em 30/09/08.