Que coisa! Sentir-se sozinho em meio a tanta gente, sentir-se só no meio da festa, procurar a razão justa para se estar ali e sentir que a resposta está em algum lugar, fora de si mesmo...
Não falo de mim, tive sorte suficiente na vida para ter um companheiro que está presente em todas as horas, que se esforça para acompanhar minhas "mood waves". Fazer o quê? desejo que cada um tenha a chance de reconhecer quem vai preencher o espaço que cada um coloca disponível em sua vida. Encontrar, talvez todos encontrem. A grande questão é saber reconhecer, é notar que "É esse!!!" ou "É essa!!"...
No mais, um poema sobre a solidão do português Antonio Feijó:
Hino à SolidãoDiz-se que a solidão torna a vida um deserto;
Mas quem sabe viver com a sua alma nunca
Se encontra só; a Alma é um mundo, um mundo
[aberto
Cujo átrio, a nossos pés, de pétalas se junca.
Mundo vasto que mil existências povoam:
Imagens, concepções, formas do sentimento,
— Sonhos puros que nele em beleza revoam
E ficam a brilhar, sóis do seu firmamento.
Dia a dia, hora a hora, o Pensamento lavra
Esse fecundo chão onde se esconde e medra
A semente que vai germinar na Palavra,
Cantar no Som, flores na Cor, sorrir na Pedra!
Basta que certa luz de seus raios aqueça
A semente que jaz na sua leiva escondida,
Para que ela, a sorrir, desabroche e floresça,
De perfumes enchendo as estradas da Vida.
Sei que embora essa luz nem para todos tenha
O mesmo brilho, o mesmo impulso criador,
Da Glória, sempre vã, todo o asceta desdenha,
Vivendo como um deus no seu mundo interior.
E que mundo sublime, esse em que ele se agita!
Mundo que de si mesmo e em si mesmo criou,
E em cuja criação o seu sangue palpita,
Que não há deus estranho aos orbes que formou.
Nem lutas, nem paixões: ideais serenidades
Em que o Tempo se esvai sob o encanto da Hora...
O passado e o porvir são ânsias e saudades:
Só no instante que passa a plenitude mora.
Sombra crepuscular, que a Noite não atinge,
Nem a Aurora desfaz: rosicler e luar,
Meia tinta em que a Alma abre os lábios de Esfinge,
E o seu mistério ensina a quem sabe escutar.
Mas então, inundando essa penumbra doce,
De não sei que sublime esplendor sideral,
Como se a emanação dum ser divino fosse,
Deixa no nosso olhar um reflexo imortal.
Na vertigem que a vida exalta e desvaria,
Pára alguém para ouvir um coração que bate
No seio mais formoso, o olhar que se extasia
Vê o mundo que nele em ânsias se debate?
É só na solidão que a alma se revela,
Como uma flor nocturna as pétalas abrindo,
A uma luz, que é talvez o clarão duma estrela,
Talvez o olhar de Deus, de astro em astro caindo...
E dessa luz, a flor sem forma, há pouco obscura,
Recebe o seu quinhão de graça e de pureza,
Como das mãos do artista, animando a escultura,
O mármore recebe a sua alma — a Beleza.
Se sofrer é pensar, na paz do isolamento,
Como dum cálix cheio o líquido extravasa,
A Dor, que a Alma empolgou, transborda em
[pensamento,
E a pouco e pouco extingue o fogo em que se
[abrasa.
Como a montanha de oiro, a Alma, em seu
[mistério,
À superfície nunca o seu teor revela;
Só depois de sondado e fundido o minério
Se conhece a riqueza acumulada nela.
Corações que a Existência em tumulto arrebata!
Esse oiro só se extrai do minério candente,
No silêncio, na paz, na quietação abstracta,
Das estrelas do céu sob o olhar indulgente...
António Feijó, in 'Sol de Inverno'
Poesia,poesias, poetas,diários de viagem, fotos, e quadrinhos, e vídeos, e tudo que pareça poesia. E música,bastante, quando der. E mais um pouco de tudo, que a vida é poesia
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
A solidão compartilhada
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Um aproach mal calculado
Hannah Arendt discute o poder e sua transferência em "A Condição Humana". Diz claramente que a condição humana não é a mesma coisa que natureza humana. "A condição
humana diz respeito às formas de vida que o homem impõe a si mesmo para
sobreviver." As condições variam de acordo com o lugar e o momento histórico do qual
o homem é parte, o que condiciona todos os homens, independentemente de sua posição na pirâmide social.
Vive-se e vai-se habituando com sua posição e condicionamentos. Percebe-se mais ou menos ao outro, aqueles que tangeciam nosso universo diário têm o privilégio de ter nossa percepção mais aguda. Privilégio aí tem um sentido um tanto irônico, no sentido que Pondé explicou no seu livro-manual "HIstória Politicamente Incorreta da Filosofia", que eu recomendo muito. O tempo é relativo, sabemos, mas o que muda é sua percepção...e ficamos pensando até que ponto o tempo influencia nossas vida além do aspecto físico. Somos melhores do que fomos? Quem viremos a ser? Amanhã é o quê mesmo??
A única razão para acreditarmos que as leis do
movimento se manterão no futuro, tanto quanto o nosso conhecimento do
passado nos permite julgar, é o fato de se terem mantido até agora.
A repetição traz o conforto da certeza!!! A crença na uniformidade da natureza é a certeza da repetição do que aconteceu ontem e antes de ontem, onde não há exceções. Posiciona-se a pessoa no universo e mudanças são antes permitidas do que impostas. Destino e coincidência não existem!!
Essas elocubrações foram detonadas pelo Sr. Mendigo que fica ao lado da Alerj, todos os dias. Eu, na posição confortável de servidor público, casa comida, amor, cachorro e gato...O senhor de seu tempo!!!Salário e pensão garantidos. A imagem do poder!!!
Ele já me deu dinheiro, de Monopólio, embebido em óleo e talco que é para ele ir crescendo até virar mil, ele me garantiu. Não virou, mas continuo à espera. Também coleciono as estrelas de papel dourado que ele eventualmente faz e distribui a uns poucos escolhidos. Me senti bem com sua escolha.
Duas ou três vezes por semana eu colaboro com a sua (dele) alimentação, já colaborei com a rubrica vestuário também. Ontem, ao colaborar com o jantar da criatura, puxando conversa, perguntei: " O senhor vai mesmo comprar comida, não é?" e recebi a resposta que me reposicionou no universo: "Se é para dar satisfação, não precisa me ajudar. Sempre vivi sozinho!!"
Eu não!! Não posso viver sozinho!Nunca vivi sem ajuda!Não posso viver sem amor!!Não posso viver sem um amor!!!
E fica a pergunta: quem é o senhor do seu tempo? Quem tem nas mãos o poder de modificar?
E fica a pergunta: quem é o senhor do seu tempo? Quem tem nas mãos o poder de modificar?
domingo, 30 de janeiro de 2011
Solidão
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