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domingo, 14 de abril de 2013

Liberdade de sofrer


Caminhando pelo centro, depois de constatar em loco o incêndio da Casa Caçula, o que me privou de divertidas visitas e gastos desnecessários, venho pela calçada da Buenos Aires meditabundo.

Ao meu encontro, carregando uma criança enrolada em uma fralda imunda, a definição de periguete, o short não maior que um cinto anos 80, um top cobrindo os seios não maiores que uma maçã, sandália de dedo, os não mais de catorze anos desfraldados no corpo esguio,  falando ao celular.

Rindo, disse: "Peraí..." a alguém que, certamente, a divertia.

e olhando nos meus olhos, com a inocência que a abundância do pecado tornava irreal, soltou:

-"Tem um trocado para trocar a fralda do neném?"

e, perplexo e divertido,  nem respondi, e fui embora, rindo....

O poeta Woodsworth definiu o sofrimento como "permanente, impreciso e sombrio", Oscar Wilde simpatizava com tudo, menos com o sofrimento. Eu, muito menos humano, só resto pensando que ambos não conheceram nossos trópicos...

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Notícias


Semanais, é a pretensão...Ou quando achar que devo, é a ideia, mas a preguiça e as distrações andam maiores que o desejo de escrever.
O Macaquices, da querida Val Galvão, anda mais produtivo que o Acendedor, mas isto somente me alegra...inveja zero, satisfação dez, ainda mais que a Valéria escreve muito bem.


Coisas do Rio de Janeiro...andando pelo Saara, para quem não conhece, o centro de compras popular no Centro do Rio, sexta-feira pela manhã, passando pela calçada, ouço:
-"Este, de chapéu(era eu), é o presente que eu tô quereno hoje...Aniversário devia podê escolhê presente. (sic)...
a resposta revela o verdadeiro espírito carioca:
-"Tem pinta de genérico...o que vc precisa é um laboratório estrangeiro!!".
Juro que me senti um óleo Nujol, que ninguém mais sabe do que se trata...rs...

Sabedor do caráter altamente inquieto dos pesquisadores de nossas universidades, aguardo, com certa ansiedade, o estudo sobre a motivação dos atendentes das lojas populares para serem tão ausentes quando surge um cliente no balcão. De alguma forma, tornam-se refratários a qualquer forma de ter a atenção desviada de um plano tão transcendental  de meditação que um novo 11 de Setembro no prédio do IBGE (um horror) não passaria de um foguetório de entrada de escola de samba na Marquês...Mas o melhor mesmo são as respostas às perguntas mais simples: monossílabicas, diretas, um poder de concisão que somente a preguiça mais estabelecida pode permitir e aprimorar...

A semana seria cheia para Maneco, meu avatar momô; Gastão, o vomitador, teria de ser internado mais vezes que o Jaguar, seu criador e Mona Mur (leia em voz alta!!), o alter ego sarcástico, mas um tantinho esclerosado, teria peripaques coloridos, senão: o incêndio e a cobertura das TVs (o que a senhora está sentindo? para uma mãe que acabou de enterrar o filho!!!), as eleições do congresso nacional, o aumento/decréscimo da conta de luz, as entrevistas dos futuros faróis da Sapucaí, que nos guiarão através do Carnaval; os blocos e sua sujeira; os comentários ufanistas e, sendo bastante gentil, idiotas sobre o apagão no Superbowl (e se fosse na Copa???)..francamente, vieram de onde menos se esperava...Mas é Rio e a vida, delícias doloridas e divertidas...viva quem puder!!