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quarta-feira, 26 de março de 2025

Civilidade e abandono

 Quatro dias no Rio de Janeiro, Hell de Nojeira para quem tem consciência do que acontece por lá. 

Falta de urbanidade - jogam lixo em qualquer lugar, estacionam nas calçadas, tomam os espaços públicos para benefícios privado e um etc gigantesco que nem caberia aqui. 

Falta de civilidade: aceleram quando você está atravessando a rua, como se fosse um GTA da vida; não respeitam idosos e pessoas com deficiência (alguns dos privilégios até acho injustos, mas eles existem e devem ser respeitados); empurram, não pedem licença para nada, param os carros em qualquer lugar, sem se importar com as consequências de seus atos, como se fossem caçadores a quem tudo é permitido.

Triste, já que foi a cidade que escolhi. Não caí de paraquedas, não nasci ali por acidente, foi uma ação consciente que me levou a habitar essa cidade por trinta anos.

Nossa escolha para mudarmos para a serra não poderia se mostrar mais acertada, não fosse a pandemia, que trouxe para as proximidades os vícios, a deseducação, os maus hábitos dos cariocas.

Mais triste ainda é que a Princesinha do Mar envelheceu,enrugou, está com um papo de peru e manchas na pele que mais parecem manchas de um leopardo no Seringhetti.

 Pode ter sido uma cidade muito bonita, mas acredito que não resiste mais a uma análise detalhada de seus aspectos mais cotidianos, com os prédios sem distanciamento, sem limites de altura.... sem contar o mau cheiro, uma fossa aberta, seja nas ruas do Centro, seja nas estações do metrô, seja nos amontoados de lixo por todo lado. Eduardo Paes, o Prefeito Simpatia-é-quase-amor, poderia passear mais pela cidade, respirar o ar não filtrado das ruas, abandonando os gabinetes e salas assépticas nas quais vive.

A violência nem merece um comentário aqui, só merece a tristeza daqueles que são suas vítimas e têm de conviver com os impermeáveis a qualquer coisa que não lhes aconteça diretamente.


Quatro dias...quatro estações....quatro sentimentos que afloram e persistem, mas que são dominados pela tristeza imensa de ver um símbolo de um País que um dia foi alegre se perder nos emaranhados da modernidade.


Colagens minhas, foto da Internet.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Eu, de volta, mais uma vez, e agora, em definitivo.


Mais uma vez, reativo o blog. Motivado pelas chuvas e pela chatice do Fabebook, o Instagran ainda dá um caldinho....
Há dezenas de legendas possíveis, né?
Falam como se tudo não fosse fruto de um círculo vicioso, que o fluminense, o carioca em particular, insiste em perpetuar. Brincando, brincando, agora que a Zona Sul está debaixo d'água, incluindo aí os arredores da Dona Globo e seus repórteres insensíveis e desumanos, agora que meia cidade está embaixo d'água, ficam falando merdolezas. Vamos lembrar:


1- votar não pode ser uma brincadeira de "experimentar". O Crivela não foi eleito por Deus, nem para ministro do idem. Nada fez e duvid-de-ó-dó que vá fazer algo além do óbvio e além de lamentar-se pela má sorte que está tendo:

2- lixo às montanhas, plástico às montanhas, não há nenhuma campanha, nada para tentar reduzir o volume de porcarias atiradas nas ruas!!! Aqui perto de casa descem toneladas de lixo que entopem o bueiro em frente ao meu prédio, e o lixo, apesar do prefeito e do governador, não é coisa de Deus (que ele me perdoe o uso tão frequente de seu nome, mas é que os responsáveis o usam para justificar toda merda que acontece!). Quando é que vamos deixar de tratar os pobres e pretos, e os brancos, quase pretos de tão pobres, como inimputáveis??? Quando é que vamos exigir também que se comportem como cidadãos?? AH... a história, a compensação, etc e tal... e cada um tem sua própria escala de direitos e deveres, tornando impossível a convivência e o aflorar da civilidade. Urbanidade, então, é um conceito, né?
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Vêm as tragédias, e somos todos solidários...

3- A tragédia é maior porque atinge a Zona Sul? A Zona Norte e Oeste estão sofrendo horrores também, mas, pelo que a TV mostra (e não estou falando apenas na Globo|!) tudo se concentra na Lagoa e Jardim Botânico. Não dá para ser sério.

Porque estou escrevendo tudo isso? De verdade, eu estava na academia de ginástica e ouvi horas de bobagens, na TV e do pessoal que se exercitava ao meu lado. Francamente....

Restam muitas perguntas, mas uma eu queria fazer aqui: qual é o canal para que possamos exigir das autoridades as providências que deveriam ter sido tomadas? Não vi MP nem CREA, nem nada nas ruas...muito menos CET, Defesa Civil, a menos que a Tijuca não seja no Rio de Janeiro. Com certeza, alguém que tem um bom salário deveria ter feito as inspeções, estabelecido os alertas, alguém deveria estar nas ruas orientando os cidadãos. Não fez e não vai ser punido nem responsabilizado. OU não estão sabendo da ciclovia? Alguém foi responsabilizado? Alguém vai pagar pelo prejuízo causado à cidade? Resultado de imagem para ciclovia do rio de janeiro que caiu

Não acho que prevenção seja tarefa da TV nem do rádio. TEM DE SER O PODER PÚBLICO!!!
Depois, me perguntam porque estou indo embora. Aos apressadinhos em julgar, para a serra, não é para Portugal.

domingo, 14 de outubro de 2018

Ai, ai, ai

O Rio de Janeiro anda estranho...coisas que acontecem e que não podem ser explicadas à luz da razão. Quer dizer, eu distraído sou um páreo duro para Saki (googlem aí que não estou para Mary Poppins esses dias!!), falo algumas coisas que me causam arrependimento profundo....mas, em certos aspectos, sou como nosso presidiário-mor, não assumo culpa, já que nada é meu.

As mulheres de rua por aqui usam as crianças para tentar nos comover, sem atentar que a repetição (da criança e dos pedidos, afinal, estão sempre com um nos braços e outro na barriga!) afasta o contribuinte com alguma culpa a ser expiada. Eu não tenho, minhas culpas foram resolvidas com uma contribuição à campanha do Alckmin, nada mais destinado ao fracasso, não é verdade?

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Bolo, sem culpa!
Narro aqui uma história triste, que pode ser encarada de forma mais leve, light até, se vc pensar que o dia da criança esteve por perto.

Abriram uma loja de bolos aqui perto de casa. Vão abrir mais duas, uma delas de propriedade daquela moça que atormenta as manhãs de todo mundo, que não é pirata, mas tem sempre um periquito no ombro.

"- Moço, paga um bolo pra mim?", diz a moça, carregando um daqueles bebês-sacolas-a-tiracolo.

Como vcs sabem, eu me recuso a partilhar da culpa generalizada. Nada me perguntaram, nem pediram, quando fizeram o novo ser-sem-perspectiva. Tivessem pedido, teria lhes dado uma camisinha.Então, entrei com:

"-Não está dando!Bolo tá caro!" - afinal, economia é da hora! O novo governo é uma incógnita, qualquer seja ele!
"-Mas é meu aniversário! Tô triste!", em uma dialética desenvolvida na necessidade diária de tocar a alma das pessoas.
"-No meu, tomei água! Bolo está pra rico!", sigo eu, sem compaixão alguma.
-"E se for pra criança, o senhor paga?", num último apelo que é uma apelação.
-"Criança não pode comer bolo!Açúcar faz mal!". e, um Herodes redivivo nesses tempos em
que se regojiza com garotinhos impedidos de entrar na brincadeira, segui meu caminho.

sábado, 13 de outubro de 2018

Passeio pelo Centro



Ah! O Rio antigo, Cinelândia, Palácio Monroe, Amarelinho, Cine Vitória....
A semana começou mal, péssimamente péssima demais, com o anúncio do fechamento da Livraria Cultura do Centro, onde era o antigo Cine Vitória. Uma livraria linda, que combatia o cartel em que se transformou o negócio de livros na cidade.....Por essas e outras, volto a comprar dos camelôs, sem perguntar onde conseguem os livros.... dá uma certa paz de espírito, mas apenas "uma certa...."



Fomos ver as exposições do MNBA e do Centro Cultural da Caixa, destinado, pelo que se soube, a acabar ainda este ano. Por partes:

Apesar da placa, o MNBA não é acessível! Alberto estava com bengala e não há rampa ou acesso facilitado para a entrada de pessoas com dificuldades de locomoção. Prédio tombado, o que não permite descaracterizações? Pode ser, mas ainda assim, não mereceria a placa. Depois, a bilheteria....não há divulgação do preços dos ingressos, a atendente tem de ser perguntada. Não sei se ela seria capaz de atender estrangeiros, mas tudo seria mais fácil com os preços devidamente divulgados ali, como em todo e qualquer museu do mundo! Baratíssimo, mas deveriam fazer como os museus ao redor do mundo estão fazendo: descontos ou gratuidade para os moradores da cidade onde está localizado!! Após a compra dos ingressos, elevador..."Tem, mas está em falta!"...e como é que eu faço?  Não faz, volte outro dia com dois amigos parrudos para carregá-lo escada acima, pareceu dizer o guarda... Vão dizer que há elevadores, mas se não funcionam, não há... e se não é permitido usá-los, também idem!!Uma brincadeira de mau gosto!
 As exposições - Gravuristas, o Negro na arte (muito pobre, não o negro, mas a exposição!)e outras menos votadas foram ótimas, os textos esclarecedores, mas não vi loja, nem café...Em breve, talvez? Igual ao Canecão? Ao Museu Nacional? Muito gente à toa, muitos guardas checando os smartfones (acho que deveria ser proibido portá-los durante o trabalho), uma criança pendurada no globo logo à entrada sem que ninguém a instruísse sobre o que estava acontecendo....e o que poderia acontecer... mas ainda é uma passeio que vale a pena ser feito, se vc....

AH! esse "se" aí... é preciso pular sobre os pedintes deitados pelas calçadas, os cocôs, ter resistência atômica para atravessar as nuvens de amônia e uréia dos xixis por todo o canto, escapar dos lixos voadores, e não adianta pedir socorro ao bispo! É o prefeito e ele não parece gostar da cidade que o elegeu, apenas dos seus correlegionários.Não vimos um,one, un, adin, ichi, guarda, militar ou municipal...não seria o mínimo, nas proximidades dos museus? e do Teatro Municipal??ou eu entendo tudo errado? A praça em frente ao Municipal exala um cheiro tão ruim que parece que mergulhamos nas Fossas de Caracala, no tempo em que eram usadas.... e os moradores de rua (ah! um problema social, como se não fôssemos todos!), e ... ao CC da Caixa, que era nosso destino....
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Os programas, aqui em casa
 Andar pela cidade tem dessas coisas: surpresas, boas e ruins, nos lugares mais improváveis. O clima de repartição do CCC (eu não iria usar a sigla, nesses tempos bolsonarianos, mas encurta bastante!...rs) é triste, os funcionários mal erguem os olhos dos smartfones, o pessoal da segurança responde aos cumprimentos somente a fórceps (ainda existem?), tem a vantagem de ser gratuito, mas não deveria...Vimos duas exposições surpreendentes pela qualidade, montagem e tudo o que se espera: as fotos de Serguei Maksimishin e as de João Machado, em O Sertão....Folhetos de boa qualidade, iluminação bastante razoável e as fotos, ótimas, de ambos, que divertiram por um bom tempo. Recomendo!!!
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A foto de Maksimishin de que mais gostei!!! Mas há outras maravilhosas tbm!

O que não posso recomendar: que vc ande sozinho pelo centro da cidade, principalmente nos finais de semana; que vc não pareça um gringo em sua própria cidade, senão virará alvo de todos e tudo que há de podre por aí; que vc vá com fome, ou senão estará condenado à comida de ambulantes ou dos restaurantes caça-tostões da Cinelândia. E, mais do que tudo, o que eu não recomendo: que vc acredite em uma palavra sequer de nossos políticos, sejam eles quem forem!! O Rio é a prova de que eles, com raras e ainda incógnitas exceções, não pensam no povo da cidade de São Sebastião. Morte à política!!! Viva a Política!!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Viva a diferença!

A ideia é e era escrever sobre a morte de Marielle Franco, a vereadora que foi assassinada no Rio de Janeiro nesta terça-feira, 14 de março, dia do PI (3/14, vcs sabem, é assim que se escreve data em inglês, que manda no mundo e, portanto...). Mas não dá! A frase inicial de nosso café da manhã, em conversa que, obrigatoriamente e sem lei é realizada há vinte e seis anos, foi: "É, não vamos ver um mundo melhor!" E é triste constatar que as possibilidades se reduzem a cada dia, pelo menos na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, cujo padroeiro resolveu transformar-nos, todos, em mártires... seria uma vingança através dos tempos??

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Essa é a foto dela de que mais gosto:orgulho, amor e esperança! Perdemos, mulher!

Não, eu não sou Marielle!!! Ela morreu exatamente porque era diferente, porque tinha ânimo para se levantar e lutar por um mundo melhor, porque tinha força mental para sair de casa e procurar por alguma ação que provocasse, mínima que fosse, uma ondulação nesse marasmo diário e inconcebível que nos cerca.

Marielle morreu porque era diferente, em razão de um olhar cheio de amor pelo outro, ainda que soubesse que o outro nem sempre era merecedor. Tinha força de vontade, e aí temos de trazer do passado Rollo May, citando o analista Alan Wheelis, onde diz (é um pouco longo, mas aqui não é o Tweeter!): "Entre as pessoas cultas, o uso do termo "força de vontade" tornou-se, talvez, o mais ambíguo distintivo da ingenuidade. Caiu de moda procurar, por seus próprios esforços, sair de uma situação de sofrimento neurótico; pois quanto mais forte a vontade, mais provável que seja chamada de "manobra contra o medo". Como antigamente nosso destino era determinado pela vontade, é agora determinado pela vida mental recalcada. O homem culto de hoje põe as costas contra a roda e, ao fazê-lo, talvez a impeça de girar. Assim como a vontade se desvalorizou, o mesmo se deu com a coragem; essa só pode existir a serviço da primeira e dificilmente será mais valorizada que aquilo a que está servindo. Com a compreensão da natureza humana ganhamos o determinismo e perdemos a determinação".

E isso foi escrito em um tempo sem internet, sem haters, sem vários dos ícones que nos movem através desse éter de ignorância, com pouca ou nenhuma iluminação.

Precisamos voltar a valorizar a vontade, o amor ao próximo, nem que para isso tenhamos de colocar o próximo em grilhões e que o façamos ouvir à força. Um compulsório de humanidade, eu diria, algo como "Viu alguém sofrendo, compadeça-se ou então leva porrada!".

É de porrada que precisamos, diz o Alberto, e eu estou desenvolvendo a tendência de concordar com ele. Está cada dia mais difícil de aceitar que quem luta seja ingênuo, que quem peca seja sofredor, que quem morre seja mártir. Transformarmos todos em vítimas nos levará a uma cova rasa, cheia de justos e pecadores, cheias de Mireille e Priscilas (uma médica assassinada no mesmo dia que nosso assunto de hoje!), cheias de tudo o que cabe ali, independentemente de um olhar mais piedoso ou mais raivoso.

Marielle morreu porque era diferente, em um mundo em que ser diferente ficou impossível!!! Marielle morreu porque era diferente, porque era bissexual - chamada de O Globo na "cabeça" da matéria sobre a vereadora, como se isso importasse ou tivesse alguma relevância, no momento ou fora dele. E é preciso que a diferença de Marielle seja valorizada, que o ser diferente que Marielle era seja presente em nossa sociedade, que o ser diferente que era Marielle seja aceita sem "tolerância", "compreensão" e "olhar cheio de amor".

Marielle era diferente e por isso Marielle era única! Se notaram, não substituí o nome de Marielle por pronome em nenhum momento. A razão, é claro, é que pessoas como  Marielle são insubstituíveis!

domingo, 30 de agosto de 2015

Rio de Janeiro, gosto de você



C'est à vous de rêver et de faire des songes
Puisqu'en vous il est vrai que songes sont mensonges."

L'Etourdi, IV, 2 (v. 1387-1388)

Uma frase falsa, a do título, é claro,  considerando o que fizeram com esta cidade e o que estão fazendo. Moliére estava certíssimo... canções são mentiras!
Vc é capaz de imaginar uma legenda para essa foto?

Esta semana li uma explicação até que aceitável para os motivos de a cidade não guardar lembranças, não querer ter prédios de 50 anos, mas sim de 200. Na impossibilidade, destrói-se tudo! Uma pena.

Conversas do café da manhã rendem assunto, a mais não poder. Nessa manhã gloriosa de inverno/outono/verão - somente o Rio tem três estações em um dia só-, o assunto era o que a cidade vem fazendo -ou não, né Caetano?- consigo mesma. Conseguimos levantar alguns exemplos e, lógico, gostaríamos de alguma notícia que ajudasse a não pensarmos que tudo aqui é levado pela má fé e pelo obscurantismo disfarçado de bom-mocismo.

Para não deixar dúvidas do que estou falando!
1) O Canecão!!! O que foi que aconteceu, e o que vai acontecer? Desde 2009 nas mãos da UFRJ, sim, a famigerada Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde as pessoas se formam sem ter aulas, já que os professores passam 57% do tempo em greve. Não é preciso ser formado lá para saber que não é possível formar nada nem ninguém dessa forma. Mas não é essa a questão aqui. O que será feito do Canecão? Típico do caso de "nem eu, nem ninguém", do célebre e infeliz PR (Partido dos Ressentidos, tão característico dos Ptistas). Que tivessem ocupado o Canecão com manifestações sociais, festivais de música latino-americano, coisas poncho e conga, feiras estudantis, nada disso incomodaria mais do que largar no tempo e permitir a deterioração de um patrimônio carioca.
Já pensaram?

2) o Instituto de Arquitetura e Design, que seria formado no antigo Cassino da Urca! Hoje, abriga o Instituto Europeu de Design, com todas  as atividades voltadas para os cidadãos do Rio. (Sarcasmo, gente, amargo, que estraga o apetite!). Na Wikipédia: "Por anos, ficou vazio, mas, desde 21 de novembro de 2006, o cassino, que estava sobre posse da prefeitura, foi alugado ao Instituto Europeu de Design, que irá investir 17 milhões de reais em troca da concessão de 50 anos para uso do local. O Instituto Europeu de Design pretende instalar no local uma "incubadora de projetos para pensar o Rio". Ao iniciar sua atividade, depois de concluídas as restaurações do antigo prédio, foi a segunda maior filial. Contudo, se as obras de restauração têm progredido, o funcionamento da escola no prédio, a que se opõe uma parte significativa dos moradores do bairro, foi impedido por uma decisão judicial do Ministério Público, por falta de numerosas autorizações, como estudos de impacto (trânsito etc.). Entre outros obstáculos à ocupação do prédio pela escola de design, podemos citar também o zoneamento vigente naquele local da Urca, que exclui a possibilidade da implantação de um estabelecimento de ensino superior. Porém, em dezembro de 2012, uma nova decisão judicial falou que o IED Rio pode abrir as portas no prédio. Os cursos foram iniciados em 2013 e o IED Rio foi inaugurado em 27 de maio de 2014.". 
Mais um caso de "nem eu, nem ninguém!"


Plantas originais do Copacabana Palace, encontradas em Campinas! Não poderia ilustrar melhor!

3) O Teatro Copacabana, sabe Deus porquê está fechado há tanto tempo!! UM patrimônio da história cultural do Rio. As investidas do então Rioarte não deram em nada e, de lá para cá, está entregue aos cupins, baratas e ratos. Simples, mas triste.


4) O Automóvel Clube, no Centro da cidade, um prédio espetacular, sem destino algum.

E a lista segue, praticamente infindável. Os teatros ressentem-se da falta de vida cultural, de estímulo às realizações que a década de 90 viu florescerem pela cidade toda, a Rede de Teatros, as Lonas, etc.
Onde andam os festivais de dança, de teatro, as companhias médias com ingressos a preços aceitáveis? Vida cultural não pode ser O Corpo no Municipal, companhias caríssimas na Cidade das artes. Há realizadores, abnegados que insistem em trabalhar mesmo com o desestímulo e enfrentamento (!!!!) do poder público.

Não basta acabarem com a cidade, com essas obras espúrias, sem consultas, com o único objetivo de florear um currículo que está mais para folha corrida. Pena, Rio, um lugar que escolhi para viver, mas que está dando sinais de que não gosta de quem gosta de você.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Um velho mundo no Novo Mundo, cheio de novidades

Cada cidade tem o Louvre que tem... Galeria Subte, com obras de uruguaios...
Vou tentar escrever tudo em só um post. Se eu me lembrar de alguma coisa depois, abro um novo ou posto como comentário. Ou então faço um post de serviço, desnecessário, já que a internet está cheia de informações sobre tudo.

Já vejo as mentes sedentas, abertas à espera de um relato de viagem risível (double entendre), cheio de coisas. Mas não, o Uruguay não é um país pequenino, envelhecido, governado por um tiozão simpático, que nem liga se os netos puxam um baseadinho, se os garotos se casam um com os outros.

Livraria na Sarandi, rua de pedestres, que vai dar no Mercado do Porto. Um caminho cheio de galerias e livrarias, que vale a pena conhecer.
O Sr. Mujica se preocupa com a saúde dos seus - se você compra remédios com receita passada por um médico credenciado, o valor dos remédios caiu mais de 30% e assim se reduz a auto-medicação; as filas nos hospitais são pequenas, embora existam; o atendimento é personalizado, a consulta demora mais de meia hora, enfim, um atendimento humanizado, de pessoas se relacionando com outras pessoas (tem coisa mais gay do que isso? mas nada a ver!)-, se preocupa com o transporte - nos pontos de ônibus há horários, itinerários aproximados, o preço é irrisório, o intervalo entre as composições é reduzido, não existe superlotação a não ser em horário de pico, e isto em uma cidade sem metrô!-, se preocupa com a cidade - embora decadente, a cidade é relativamente limpa, está em transformação, MAS NÃO ESTÁ SE DESCARACTERIZANDO!, há um claro zoneamento e respeito pelas paisagens, os parques estão bem cuidados e são muitos.
As escadarias do Museu de Arte Pré-Colombiana e Indígena de Montevideo, uma bobagem. Só vá se quiser gastar tempo com nada... Talvez, quando acabarem a restauração, se transforme em algo interessante.
Então, recomendo: ESQUEÇA O FOLCLORE SOBRE O URUGUAI e leve o país a sério, que sirva como exemplo para este gigante adormecido e cheio de pesadelos. Aceito a argumentação de que este país é enorme, tem centenas de milhões de habitantes a mais, o que dificulta, mas não se vê por aqui o esforço com a educação e gerência como se vê lá. É preciso começar algo que não seja uma política de subsistência da pobreza, a manutenção de uma classe deseducada, desinformada e sem formação familiar.

Parque Rodó, à beira do Rio da Prata, tem um cassino ao lado, uma feira totalmente dispensável aos domingos.  O parque é lindo, bem cuidado, como se vê, sem perigo algum. De dia, é claro. 

Ah, esta estrada escura da insatisfação, não me deixa discorrer sobre o que eu pretendia. Voltando:

O uruguaio é gentil e educado, trata você bem, e tem antipatia pelo carioca (que considera exigente, grosseiro e um grande etc que apenas confirma o falecimento da criatura folclórica que habitava essas paragens que  Estácio de Sá descobriu.). Respeita o Brasil, embora não nos compreenda, nem eu tentei explicar, já que compartilho da impossibilidade de compreensão de um país que insiste em não aproveitar as oportunidades históricas que lhe surgem.

O motivo da viagem: 22 anos juntos...e MOntevideo foi um marco bem interessante...Olhe o azul do céu e coloque 2 graus de temperatura....uma delícia para passear! A foto foi no Parque Rodó.
A capital, Montevideo, é o paraíso da art deco. Há conjuntos enormes de edificações art-deco, os prédios são pequenos, simpaticíssimos, dá vontade de entrar e conhecer um deles. Os prédios modernos, mais altos, respeitam algum gabarito e não se transformam em um corredor de vento. Que, aliás, é um terror no inverno, ao dobrar o canto da rambla, não resisti e tive de voltar pelo caminho de ida, uma vez que o vento era frio e cortante!
O aeroporto, bonito, simples, funcional. Olhaí, Infraero, não custa nada se mirar nos bons exemplos!

Há parques espalhados pela cidade, todos os que vimos relativamente bem cuidados e limpos, as pessoas curtindo um solzinho - o diminutivo aqui não é força de expressão- muitos cinemas, alguns shoppings, um comércio à primeira vista pequeno, existem cassinos cheios de gente mais velha, vidradas naquelas máquinas caça-niqueis, os restaurantes ainda não alcançaram a cozinha fusion com propriedade,embora tentem.

Em frente ao Congresso do Mercosur e ao Cassino, que fica ao lado. Não dá para confundir, embora sejam quase a mesma coisa. Essa é a Rambla, que tem mais ou menos 22 km, que vc pode percorrer. O vento mata!
Conversando com um casal de chilenos que moraram no Brasil - São Paulo - , eles demonstraram a tranquilidade de morar em uma cidade praticamente sem violência, com boas escolas próximas à casa, supermercados bem abastecidos, mas sentiam faltam de uma vida social mais agitada. Mas reclamaram do frio úmido, principalmente de quem mora perto do rio! A beleza cobra uma taxa alta, neste caso... Mas correr pela rambla - eu corri duas vezes, contra um frio de cortar cerol! E aqui um conselho: mais que o frio, procure se agasalhar do vento, que vai até os ossos.

A arquitetura, um dos atrativos de Monti.  Fosse eu o síndico, retiraria na marra aquele exaustor ali à esquerda. Como é que fazem isso???
Para o David Galvão, uma boa notícia: está cheio de amiguinhos por lá,a preços muito convidativos, que permitem uma experimentação. Não fizemos o passeio à vinícola, já que o vinho que provamos não era muito nossa praia. Mas dizem que o passeio é muito gostoso, mas se conheço a Val, vocês já fizeram este... e aproveitem a cerveja Stella, muito gostosa.

Monumentos, uma das atrações de Monti. São lindos, em geral...Os chafarizes merecem atenção. Ao fundo, uma exposição sobre a Copa do Mundo...lá como cá...


As feiras de rua, faladas, são uma decepção, parece que você está na Rua Tereza ou aquela feira de Teresópolis. A única que vale a pena é a da rua Tristán Navarra, engraçadíssima, uma feirona com tudo, de antiguidades a pets!. Se sua praia for ler em espanhol, o seu paraíso é por ali, há dezenas de livrarias em que vc pode mergulhar por horas. Infelizmente, essa separação Brasil/América do Sul não me deu chance de curtir a leitura em espanhol, que seria mais fácil.

Amanhã tem mais...



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Não custa perguntar...ou procurar



É um horror e nos faz pensar na involução do ser humano!Fazer o que fizeram com o pobre coitado, ainda que marginal, no Rio de Janeiro, é um atestado de barbárie, um brevê de insensatez coletiva que nos mostra que não há mais remédio: somos um país, uma nação condenada a não dar certo, a ciclos esparsos de evolução econômica, mas só!

A atitude dos boçais, embora a inércia e desídia do poder público possa nos levar a pensar que é isto mesmo que tem de acontecer, já que o poder  constituído não toma as providências mais comezinhas para evitar a escalada da violência que a tão prometida bonanza carioca, que não chega para todos, provoca nos excluídos de suas promessas e (poucas, pouquíssimas) realizações, a atitude dos boçais é imperdoável, deve ser punida com rigor e prevenida com trabalho de inteligência da polícia! Ou alguém duvida de que vai se repetir? A educação e a consciência social servem exatamente como freios para pensamentos como este, de vingança e "justiça pelas próprias mãos". A se levar a termo a lei de Talião (olho por olho, ...) acabaremos todos cegos e banguelas!!


Tão ou mais chocante que a atitude da turma é a reação dos protestadores de plantão, dos revoltados de butique, dos encastelados em palacetes e latifúndios verticais, de onde atiram pérolas de ignorância ilustradas, sabendo que os porcos que as receberão não saberão reconhecer seu significado:  usam o termo fascista como expletivo, como se fosse um "filho da puta" pueril, tirando da palavra seu significado precípuo e utilizando-a como um palavrão refinado, algo de que a plebe ignara não consegue alcançar o significado em sua plenitude. Não percebem, filhos da PUC, que é um problema a mais, essa demonstração pública de ignorância e má fé?

"Ontem, hoje, amanhã, para honra da Itália"
Vou tentar ajudar, já que a palavra vem sendo usada a torto e a direito, com tal ignorância e óbvio sectarismo (se não concorda comigo, é fascista!...um horror!), que é preciso dar uma ajudazinha: fascista vem de fascismo, um regime político autoritário, que proclama a autossuficiência do Estado sobre o cidadão, sendo que as razões do Estado se sobrepõem ao direito e à moral.

Historicamente, o fascismo tem seu poder fundamentado em organizações sociais e da classe operária, unidos para se contrapor ao poder do grande capital e do sindicalismo autoritário.

A acepção moderna, ou contemporânea, da palavra se refere a alguém "radical, forte e intransigente", embora tenha sido apropriada pela esquerda (quando ela fazia sentido) para designar qualquer pensamento de direita. Uma manipulaçãozinha não faz mal a ninguém, não é?  Está tocando algum sininho aí ou a ignorância criou uma pátina impenetrável à razão e aos argumentos razoáveis?



Para ajudar mais um pouco, citando Meis: "O fascismo é o sistema de governo que carteliza o setor privado, planeja centralizadamente a economia subsidiando grandes empresários com boas conexões políticas, exalta o poder estatal como sendo a fonte de toda a ordem, nega direitos e liberdades fundamentais aos indivíduos e torna o poder executivo o senhor irrestrito da sociedade.". Lembra a vocês de alguém ou algum lugar ao sul do equador?

E não envolvam racismo neste caso. Calhou de ser preto, o pobre! O racismo, se houve, foi anterior aos roubos que ele praticou, foi anterior ao seu nascimento, foi anterior a sua não ida a uma escola, foi anterior à falta de construção de uma perspectiva possível de vida para ele. O racismo contra o cidadão possível, foi o que sofreu a triste criatura.



 A ideia não é polemizar, não é dizer que alguém está certo ou errado, é só dar uma ajudinha para que a ignorância não triunfe tão facilmente, já que não tenho a menor dúvida de que ela triunfará. Então, quando alguém defende uma ideia diferente da sua não está sendo fascista, está defendendo uma ideia diferente da sua. Quando alguém acha que o seu programa para combate a pobreza não é a melhor ideia do mundo, é isto só, não está sendo fascista e muito menos nazista (são coisas iguais, embora diferentes, sabiam? A diferença é um detalhe...o bode expiatório!). Apenas se acredita que há melhores formas.

Papel, como sempre, continua aceitando qualquer porcaria, inclusive as minhas! Mas não custa nada dar uma lida com atenção e pensar sobre os fatos, para que não se pareça ignorante e manipulado, mas apenas alguém que pensa diferente.


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Odiando a quem se ama

Vick Muniz, um artista "carioca" no que o termo tem de bom e ruim. Aproveitei a foto do blog da Val Galvão. Problemas???Falem com ela...

A cidade está na moda, todo mundo falando bem, querendo ser carioca, vir trabalhar aqui até 2016, os grandes eventos que deixaram um legado" ....PQP!!!!!! Legado!!!!Como se não fosse preciso viver aqui até que eles aconteçam, com suas reduções e adaptações que apenas ressaltarão a capacidade morena de rearranjar as coisas...os fatos...as responsabilidades...enfim, a capacidade morena de enganar!!E ainda achar que é mérito...bom, mas aí é enganar mesmo.


Especificamente, são três posts falando do Rio, você pode encontrá-los aí ao lado, basta clicar em marcadores. Então, pode-se notar que não é uma preocupação recente, que não estou respondendo à coluna nem à provocação charmosa da Val Galvão, do blog Macaquices e outras coisas.


A questão é que anda mais insatisfeito do que recomenda a regra da boa convivência e isto tem atrapalhado meu dia a dia, sair de casa começa a ser um trabalho. Estaria eu com a síndrome do pânico ou é mesmo um caso exagerado de insatisfação com a cidade que escolhi para ser feliz?

Aparentemente, tomei o "perigoso caminho dos que se decidem a viver por si próprios de acordo consigo mesmo."
Confirmando Edmund Burke, apenas o conhecimento direto da liberdade a torna palpável. Especular em termos genéricos leva ao ceticismo e à descrença na liberdade. Observar com atenção os fatos é o único credenciamento que se exige para que se possa opinar e concluir com acerto a que caminho estamos nos direcionando.
O raciocínio se aplica a quase todos os campos da vida em sociedade.

E é isto que eu tenho sido, um observador, um crítico da cidade em que consegui realizar alguns dos desejos da minha juventude.
Eu, observando o observador...
A grande vantagem de ser maduro - ah! os eufemismos!!!!_ e não ter mais aqueles arroubos de reformar, acertar os erros do mundo quando observado do alto dos sonhos que a juventude nos permite. E, beirando a terceira idade, tenho de admitir: Rio de Janeiro, você precisa mudar alguma coisa para que nosso amor continue!! Não posso continuar aceitando estas demandas por adaptações às suas constantes mudanças...Tenho tentado, tenho me esforçado, mas eu estou ficando cansado.

Esta é a coluna que originou os comentários: Coluna do Gilberto

segunda-feira, 11 de março de 2013

Perfeição à vista


A grande tragédia do ser humano é conseguir um vislumbre da perfeição e ter de se contentar com o possível. Que conversa estranha, você pode pensar...mas não.Vejam o exemplo do Rio de Janeiro, a cidade que escolhi para morar, já se vão vinte e alguns anos, e que hoje exige um tremendo esforço para que eu não mude amanhã mesmo...O mundo gira, a Lusitana roda...

Figura 1: mostra a dinheirama MENSAL que segue para os municípios do norte fluminense

Figura 2: mostra a posição dos municípios do norte fluminense no IDEP. 

Figura 3: a média do IDEP para o ensino médio no Brasil. Procure o Rio....não levante os olhos...

A questão dos royalties já passou dos limites do razoável, sem que se perceba uma argumentação mais séria de qualquer das partes. E nós, governados, também vamos embarcando nesta nau insensata da estupidez humana e corroboramos os argumentos feitos sem nenhum embasamento econômico, financeiro e decente. Decente??? É, os argumentos usados não são decentes porque não são verdadeiros, são distorções de uma realidade que, a todo instante, se prova diversa daquela alegada pelos principais atores deste espetáculo pobre de vaudeville...



Quem mora no Rio de Janeiro sabe muito bem que os royalties não têm servido aos cidadãos e que a perspectiva é a de que continuem não servindo. O atual Governador, muito espertamente, já comprometeu as receitas advindas do pré-sal durante anos, tudo em nome de melhorias no Estado que os cidadãos não conseguem perceber. Não me falem de UPAs, UPPs, segurança pública, etc....esta conversa vale para quem mora na Zona Sul à beira-mar ou então nas proximidades  de uma favela que tem seus contornos tangenciando os apartamentos fincados nas cidadelas da Zona Sul. Fora daí, o ambiente permanece o mesmo, não se sai de casa depois das dez da noite, não se vai a lugar algum que não preveja uma multidão que atenuará a sensação de insegurança total.


Metrô no Rio

Barcas no Rio


Ônibus no Rio

O metrô e os ônibus, bem como as barcas, bem, esta conversa é altamente ofensiva e irritante, já que o tempo para que melhorassem já se esgotou. Onde está a adaptação dos veículos para as pessoas com deficiência? Após dez anos, foi solicitada uma prorrogação para a implantação dos equipamentos e nada foi feito até agora...O  Metrô não tem o menor respeito pelo seu usuário e a última ofensa ao consumidor deste serviço foi a retirada dos bancos que permitiam que a espera pelos lerdos trens fosse amenizada. As filas das barcas descem pela Praça XV e sobem até a Rua da Assembleia, e não, ninguém me contou, trabalho ali e vejo quase todo dia o sofrimento de quem tem de ir para Niterói... Onde está o ar condicionado dos ônibus?Os poucos que tinham implantado este milagre do mundo moderno sumiram da praça...Alguém tem a explicação?


E se formos enumerar todos os aspectos da vida diária, eu não conseguiria enumerar um sequer em que o lado positivo tenha sido incrementado desde que o estado começou a receber os royalties...
Então, ficamos assim: parem de tentar me convencer através de reportagens, matérias, cadernos especiais, de que o Rio está melhor. Quero que me mostrem e que me permitam viver essas melhorias...Desde já, agradeço.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Notícias


Semanais, é a pretensão...Ou quando achar que devo, é a ideia, mas a preguiça e as distrações andam maiores que o desejo de escrever.
O Macaquices, da querida Val Galvão, anda mais produtivo que o Acendedor, mas isto somente me alegra...inveja zero, satisfação dez, ainda mais que a Valéria escreve muito bem.


Coisas do Rio de Janeiro...andando pelo Saara, para quem não conhece, o centro de compras popular no Centro do Rio, sexta-feira pela manhã, passando pela calçada, ouço:
-"Este, de chapéu(era eu), é o presente que eu tô quereno hoje...Aniversário devia podê escolhê presente. (sic)...
a resposta revela o verdadeiro espírito carioca:
-"Tem pinta de genérico...o que vc precisa é um laboratório estrangeiro!!".
Juro que me senti um óleo Nujol, que ninguém mais sabe do que se trata...rs...

Sabedor do caráter altamente inquieto dos pesquisadores de nossas universidades, aguardo, com certa ansiedade, o estudo sobre a motivação dos atendentes das lojas populares para serem tão ausentes quando surge um cliente no balcão. De alguma forma, tornam-se refratários a qualquer forma de ter a atenção desviada de um plano tão transcendental  de meditação que um novo 11 de Setembro no prédio do IBGE (um horror) não passaria de um foguetório de entrada de escola de samba na Marquês...Mas o melhor mesmo são as respostas às perguntas mais simples: monossílabicas, diretas, um poder de concisão que somente a preguiça mais estabelecida pode permitir e aprimorar...

A semana seria cheia para Maneco, meu avatar momô; Gastão, o vomitador, teria de ser internado mais vezes que o Jaguar, seu criador e Mona Mur (leia em voz alta!!), o alter ego sarcástico, mas um tantinho esclerosado, teria peripaques coloridos, senão: o incêndio e a cobertura das TVs (o que a senhora está sentindo? para uma mãe que acabou de enterrar o filho!!!), as eleições do congresso nacional, o aumento/decréscimo da conta de luz, as entrevistas dos futuros faróis da Sapucaí, que nos guiarão através do Carnaval; os blocos e sua sujeira; os comentários ufanistas e, sendo bastante gentil, idiotas sobre o apagão no Superbowl (e se fosse na Copa???)..francamente, vieram de onde menos se esperava...Mas é Rio e a vida, delícias doloridas e divertidas...viva quem puder!!


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

São Paulo

Como tudo que diz respeito a São Paulo, o post precisa ser longo, imenso, gigantesco...Por que São Paulo é enorme em tudo, trânsito, chuva, aeroporto, engarrafamentos,chuva, hotéis, chuvas, preço dos restaurantes, chuva, qualidade dos restaurantes, chuva, amigos, bares, lojas, chuva. A chuva foi diária, quando você vir na TV aquelas histórias de engarrafamentos, tenha em mente que é absolutamente setorial. Inundar São Paulo inteira demandaria todo o Aquífero Guarani e mais alguma coisa. Então, é só vc localizar o local da inundação, evitá-lo, e tudo fica bem...simples assim.
As diferenças entre São Paulo e Rio vão muito além das bobagens futebolísticas e urbanísticas que a imprensa carioca, ela própria uma das diferenças a favor de São Paulo, insiste em acerbar, para depois fazer campanhas pela paz, evidentemente que cobrando algum pela ligação...Essas coisas cariocas que irritam profundamente...

Serviços, pessoas, educação, transportes, tudo conspira a favor de São Paulo...seria bom o Rio de Janeiro tomar pé da situação  e perceber que ter uma olimpíada pela frente não soluciona os problemas basilares que a cidade a o estado têm, que a fama que o carioca tem, hoje, já é outra e extremamente negativa, aquela coisa do bom humor e amabilidade ficou para trás há tempos...sofremos na pele durante esta viagem este conceito negativo que as pessoas, e não são só os paulistas, têm atualmente a respeito do carioca. O programa "Acorda Rio" é de implantação urgente e o programa "Volta, Carioca" já perdeu o bonde da história.

Elisabeth Bishop já definiu o Rio como uma cidade ruim em um lugar lindo...discordei quando li pela primeira vez, e hoje, depois de vinte e cinco ano morando e sendo feliz aqui, vejo que ela teve a visão daqueles que não se deixam levar pelo entusiasmo provocado paisagem espetacular (ainda) que circunda a cidade..e mesmo ela, a paisagem, já está mais do que corrompida e degradada pela inércia e falta de planejamento da classe dirigente carioca, essa coisa triste, corrupta, inerme, desumana que conseguiu transformar tanto um ícone mundial de beleza.

O Metrô paulista, limpíssimo, pontualíssimo (Alberto fez a pesquisa!!), funciona que é uma beleza, mas como o Metrô do Rio, não dá desconto para compra de vários bilhetes!!Alguém consegue entender a razão? Comprar dez, vinte bilhetes pelo mesmo preço que se compra um é estranho. E não há oferta de cartões, como em NYC, Paris, Praga, Chicago e outros menos votados...

As pessoas esperam você descer do vagão, NÃO OUVEM MÚSICA NO CELULAR, cedem o banco para você mais velho, mesmo não se encaixando na lei (infelizmente, foi-me oferecido assento duas vezes, me trazendo de volta à realidade que, em frente ao espelho, eu insisto em negar!!), as bilheterias têm fila razoável, as estações atingem praticamente a cidade inteira, ou, pelo menos, deixam você perto de um terminal de ônibus que o leva aonde quer ir....Não tem problemas ou defeitos? É claro que tem, mas nota-se o esforço da construção de um sistema que atenda ás pessoas de forma eficiente e relativamente confortável. Perdeu nessa, Rio...(só para usar a frase. Nada a ver com a rivalidade, não estou contabilizando nada, apenas a tristeza que me deu andando por São Paulo e pensando como o Rio poderia ser melhor do que é!).


Não vou falar das padarias, uma delícia paulista que apenas o Talho Capixaba se deu ao trabalho de pesquisar, dos táxis (motoristas mais ou menos uniformizados, calça preta e camisa branca. Nosso motorista aqui no aeroporto, ao pegar a nossa mala -a pequena, a grande eu tive que pegar..rs- deixou entrever mais do que o necessário para ser expulso do Big Brother 13!!), dos restaurantes - a edição do Comer Bem em São Paulo é quase uma bíblia- e outras coisas. A encadernação, motivo da viagem, será um post à parte...

Triste para quem escolheu o Rio de Janeiro para ser feliz...

Dá pra ser mais linda do que isto??? Acho que dá...