domingo, 14 de outubro de 2018

Ai, ai, ai

O Rio de Janeiro anda estranho...coisas que acontecem e que não podem ser explicadas à luz da razão. Quer dizer, eu distraído sou um páreo duro para Saki (googlem aí que não estou para Mary Poppins esses dias!!), falo algumas coisas que me causam arrependimento profundo....mas, em certos aspectos, sou como nosso presidiário-mor, não assumo culpa, já que nada é meu.

As mulheres de rua por aqui usam as crianças para tentar nos comover, sem atentar que a repetição (da criança e dos pedidos, afinal, estão sempre com um nos braços e outro na barriga!) afasta o contribuinte com alguma culpa a ser expiada. Eu não tenho, minhas culpas foram resolvidas com uma contribuição à campanha do Alckmin, nada mais destinado ao fracasso, não é verdade?

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Bolo, sem culpa!
Narro aqui uma história triste, que pode ser encarada de forma mais leve, light até, se vc pensar que o dia da criança esteve por perto.

Abriram uma loja de bolos aqui perto de casa. Vão abrir mais duas, uma delas de propriedade daquela moça que atormenta as manhãs de todo mundo, que não é pirata, mas tem sempre um periquito no ombro.

"- Moço, paga um bolo pra mim?", diz a moça, carregando um daqueles bebês-sacolas-a-tiracolo.

Como vcs sabem, eu me recuso a partilhar da culpa generalizada. Nada me perguntaram, nem pediram, quando fizeram o novo ser-sem-perspectiva. Tivessem pedido, teria lhes dado uma camisinha.Então, entrei com:

"-Não está dando!Bolo tá caro!" - afinal, economia é da hora! O novo governo é uma incógnita, qualquer seja ele!
"-Mas é meu aniversário! Tô triste!", em uma dialética desenvolvida na necessidade diária de tocar a alma das pessoas.
"-No meu, tomei água! Bolo está pra rico!", sigo eu, sem compaixão alguma.
-"E se for pra criança, o senhor paga?", num último apelo que é uma apelação.
-"Criança não pode comer bolo!Açúcar faz mal!". e, um Herodes redivivo nesses tempos em
que se regojiza com garotinhos impedidos de entrar na brincadeira, segui meu caminho.

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